CAFÉ COMO FERRAMENTA SOCIAL E DE SUSTENTABILIDADE, PERTENCIMENTO E CURIOSIDADE.

 

Quase ninguém chega ao café especial por um caminho óbvio. Na maioria das vezes é um encontro meio por acaso, uma xícara extraordinária numa cafeteria, um pacotinho de café que alguém deu de presente, uma conversa no balcão. A partir desse primeiro contato, vêm as perguntas. De onde vem esse grão? Quem produziu? É 100% arábica? E variedade, o que é? E essa palavra aqui no pacote, processamento, quer dizer o quê?

Às vezes leva um tempo pra alguém se deparar, por acaso, com algo que a leva a descobrir esse universo fantástico. A partir daí, quando descobre, se encanta! Através do café especial é possível falar da história cultural e social do Brasil, entender química e física, decorar nomes de variedades e se conectar, de alguma maneira, com quem produziu aqueles grãos.

 

Entre os países produtores, o Brasil ocupa um lugar de protagonismo. Há mais de 150 anos somos o maior produtor de café no mudo, mas a nossa potência vai muito além do volume que é produzido. Foi em centros de pesquisas daqui que surgiram variedades como Mundo Novo e Catuaí, hoje cultivadas em vários outros países produtores. Também é daqui que saem máquinas e tecnologias para a cafeicultura que são referências mundo afora.

 

Fazemos parte de uma comunidade de países que, apesar de viverem realidades diferentes entre si, compartilham uma relação profunda com esse mesmo fruto. Olhar para o que acontece em outros países produtores é também uma forma de reconhecer o que temos de particular, aprender com outras experiências e ampliar nossos horizontes. O café cria essa ponte. Aliás, o café cria diversas pontes.

 

Talvez por isso o café reúna tanta gente à sua volta. A curiosidade e a sensação de descoberta alimentam algo na gente, algo que vai no sentido contrário do imediatismo trazido pelas pelas telas e pela rapidez dos estímulos. Café é um convite à presença, de várias maneiras. Seja pelo ritual ou pelo prazer sensorial, ou quem sabe até mesmo pela sensação boa em perceber que você está cada vez melhor em fazer uma V60. Talvez o melhor convite que o café faça, seja estar com outras pessoas, para um despretensioso café da tarde ou, como é o caso aqui na torrefação e entre amantes da bebida, para avaliação de novos perfis e cafés.

No dia internacional do café, queremos compartilhar com quem consome Café Por Elas é a possibilidade de entrar nesse universo vasto que só o café especial proporciona. O conhecimento disso tudo só se faz possível através da rastreabilidade, da transparência técnica e de existir um espaço pro intercâmbio das ideias. E a gente quer nutrir a sua curiosidade nesse sentido. 

Nosso convite é que nesse dia de celebração, você passe a enxergar o café para além do que ele parece. Veja nele uma possibilidade de ferramenta social e de sustentabilidade, pertencimento, descoberta e curiosidade.


A gente acredita, ainda, que para nós, brasileiros, essa curiosidade deveria ser ainda mais natural. Fazemos parte de uma cadeia que movimenta milhões de pessoas e tem enorme relevância econômica, social e ambiental pro país. Temos muito para conhecer e pra nos orgulhar.

Por outro lado, também temos muito a almejar. Melhores condições de trabalho no campo e nas cafeterias, mais equidade de gênero, mais mulheres ocupando espaços de decisão. Temos uma cadeia produtiva enorme e isso também significa responsabilidade sobre o futuro que queremos construir para ela.

Talvez essa seja uma das coisas mais interessantes sobre o café: ele parece simples. É uma bebida. Mas, quando a gente decide olhar um pouco mais de perto, percebe que vai muito além.

 

Feliz dia internacional do café para todas as pessoas que amam, por ofício ou lazer, o café especial.


MARINA MOREIRA
Analista de conteúdo do Café Por Elas e apaixonada por café.